A origem das fibras têxteis

Conheça a origem das fibras têxteis e como são produzidos.


Conforme o relatório da Textile Exchange, mais de 105 milhões de metros de tecidos foram produzidos em 2017, sendo poliester e algodão as fibras mais utilizadas no mundo.


Políester representa atualmente 51% desse total - metade de toda a produção têxtil do mundo. Mas juntando outras fibras sintéticas nesse grupo, como nylon (5,4%) e outros sintéticos como acrílico e acetato (5,7%), passamos dos 60% (62,1% para sermos exatos)


Já o algodão vem em segundo lugar com 24,5% de toda a produção. Outras fibras naturais vegetais como linho e cânhamo representam 5,5%. E fibras naturais animais 3% (lã = 1%, seda < 1% e penugem < 1%). Totalizando aproximadamente 33% do total.


Já as fibras artificiais como viscose, rayon, etc representam 6,3% da produção mundial.


Ou, seja atualmente nos deparamos com uma indústria de moda no qual:


60% dos tecidos atualmente produzidos são feitos a partir de fibras sintéticas, em sua maioria, polyester. Sendo que este número duplicou desde 2000.

By Fashion Revolution Brasil



Essa informação me espantou! E você, já sabia?


As fibras químicas tem suas problemáticas, mas as naturais também. Desde o consumo de terras, uso de agrotóxicos e pesticidas na plantação de algodão, passando pelos artifícios tóxicos usados na viscose, até o mundo de plástico que construímos com o poliéster.


Bom, por isso, decidi falar um pouco mais das fibras têxteis, afinal olhar a etiqueta da roupa não é um hábito tão comum. Mas que vale a pena adquirir, até para entender o custo x benefício do que está a comprar.



Fibras sintéticas





O poliester é uma fibra sintética obtida a partir do petróleo, assim como poliamida, elastano, nylon e acrílico. É uma produção mais econômica, e talvez esse seja o principal fator pelo qual seu uso na moda cresceu tanto. Ou seja, se você está investindo mais alto numa peça, ela nunca deveria ser de fibra sintética, pois geralmente é um tecido barato.


Como é feito o poliester?


1. Extração de petróleo

2. Processo químico de polimerização para obtenção do polímero, commumente conhecido como PET (usado também para garrafas e embalagens)

3. Transformação em fios num processo de fusão a aproximadamente 250ºC. O líquido passa por uma extrusora (uma espécie de chuveiro) formando um filamento com a expessura determinada.

4. Processo de fiação que consiste na torção do filamento.


Sua produção utiliza recursos não renováveis: substâncias químicas extraídas do petróleo, além de consumir muita água em seus processos, e demora em média 400 anos para se decompor em condições naturais.


Usar um tecido de fibra sintética quer dizer basicamente que estamos usando plástico. Com esse número imenso de peças no mundo, a cada lavagem o problema tem sido os microplásticos.



Fibras naturais




As fibras naturais, como o próprio nome diz, vêm da natureza. As mais comuns são de origem vegetal (linho, algodão, rami) ou animal (seda, lã). Para nosso uso são melhores em vários aspectos (toque, conforto), mas no caso do cultivo e produção também podem apresentar problemas, como o uso exageradoede agrotóxicos, muito uso de água, trabalho análogo à escravidão em plantações, mal trato de animais, entre outros problemas.


Como é feito o algodão?


É uma planta composta quase 100% de celulose e bastante resistente à seca – por isso, é cultivada em diversas regiões do mundo, principalmente em ambientes semiáridos que requerem ainda mais água para o seu cultivo.


Quase tudo no algodão é aproveitado: caule, folhas e bagaço para a alimentação animal; caroço para produção de óleo; e pluma para a produção da fibra.


Suas etapas de produção são:


1. Plantio: as sementes de algodão são plantadas enfileiradas em grandes lavouras, normalmente rotativas com a produção de soja ou milho, e florescem em mais ou menos 6 semanas; essa flor cai ou seca, dando origem ao chamado de “maça”, que é um bagaço onde acontece a maturação da pluma do algodão. Depois de mais ou menos 70 dias, essa pluma está pronta para a colheita e é nesta etapa que muitos pesticidas e agrotóxicos são utilizados para manter o crescimento da planta.

2. Colheita e descaroçamento: o algodão é colhido por meio de algum maquinário específico ou por pessoas. O descaroçamento é uma fase de ‘limpeza’, onde esses rejeitos como folhas são separados da pluma do algodão em si

3. Distribuição: o algodão é transformado em fardo e transportado para as indústrias têxteis para ser fiado e depois tecido.



Fibras artificiais




O terceiro tipo de fibra é a artificial que são extraídas da natureza, mas passam por processos químicos para a obtenção da fibra. Um exemplo comum na moda é a viscose, extraída da celulose. Apesar da origem natural, o processo em laboratório é muito poluente resultando em resíduos químicos que vão para o meio ambiente.


A viscose é um tecido em ascensão. Segundo o Textile Exchange, sua produção dobrou entre 1990 e 2018. No caso da viscose, a matéria prima natural é a celulose – parede celular das plantas – extraída principalmente da polpa da madeira de árvores nativas.


Como é feita a viscose?

1. Seleção de árvores

2. Madeira derrubada

3. Processo químico: celulose passa por processo químico para se transformar em fibra.

4. Fiação: essa polpa é dissolvida e transformada em uma pasta que passa por processos de extrusão para se transformar em fibra e fio.


Mesmo sendo proveniente de fonte renovável, a viscose apresenta muitas problemáticas na sua dinâmica. A madeira pode ser extraída de árvores desmatadas, o uso de água e energia na produção são exagerados e os químicos usados nos processos são altamente poluentes.



Conclusão

Ou seja, cada fibra apresenta sua problemática. E prefiro tratar este assunto como uma busca pelo menor impacto, ao invés de falar da solução mais sustentável.


Ao meu ver, uma alternativa para minimizar os impactos da produção têxtil é optar por não utilizar matéria-prima virgem, reaproveitando o que já existe disponível nesse mundão 🌍

Ou seja, voltar ao conceito que sempre falo de dar vida mais longa às coisas.


Portanto, comprar segunda-mão, independente do material que é feito, significa que estamos aproveitando uma matéria já existente. Ao optarmos por comprar roupas novas, isso sempre significa o início de uma nova cadeia produtiva com extração de novos recursos, mais água, mais energia, mais emissões de CO2, etc.


Como na natureza, deveríamos seguir esse mantra nas nossas vidas:

Nada se perde, tudo se transforma!!

Fonte sobre os processos de produção: Fashion Revolution Brasil






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